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Estou na meia idade, sempre fui feliz, sempre tive saúde, mas agora à três anos "ela" veio para ficar. fiquei deprimida, não aceitei, porqueê? não tinha motivo algum. Sentia dores sem explicação alguma, chorava, estava triste, os pensamentos eram maus. Consultei vários especialistas, fiquei com um, o que me inspirou mais confiança, os comprimidos foram receitados e ter muita força de vontade para sair desta depressão. Já os tomo à três anos, estou a fazer o desmame, mas o que é certo é que "ela" não quer ir embora, o que fazer???
Cinda, tem de tentar descobrir o que contribui para que se sinta assim. Se é o emprego, talvez possa tentar mudar. Se é um problema com alguma pessoa em específico, talvez deva tentar resolvê-lo conversando.
Os medicamentos apenas ajudam a que se sinta melhor, não curam a causa.
Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: anaflor, rita-germano
Desculpe-me intrometer mas, eu também já passei por uma depressão e ao principio demorei muito tempo a tomar uma atitude para ir ao médico. Mas, depois fui a um psiquiatra que me enviou para uma psicóloga (durante alguns meses) e eu comecei a desabafar sobre tudo, todos os meus problemas e em poucos meses curei. Óbviamente que isso depende de cada um mas, eu penso que foi o falar com alguém que me ajudou e não o ter tomado medicamentos, se eu não tivesse falado com alguém nunca ia conseguir ultrapassar a situação. Não interessa o tipo de problemas, ou o tipo de situação o que importa é falar alto com alguém e dizer o que raio nos vai cá dentro.
Agradeço os comentários. Falar falo eu com quem gosto e com quem acho que é meu amigo, mas o que é certo é que fico bem mas depois volto ao mesmo. Esta doença é traiçoeira. Sei que problemas todos temos, mas os que tenho não são graves para eu estar assim. Espero que tenha dias melhores, caso contrário tenho que viver com "ela".
Boa noite,
Penso que o problema está na forma como esse tratamento está a ser conduzido. Existe uma dualidade entre a descoberta das raízes da depressão, que envolve um processo longo de auto conhecimento, e o pragmatismo associado ao facto do tempo não parar e o facto de apesar de doente, o deprimido ter responsabilidades e um papel activo na sociedade em que se insere e dever manter a capacidade de se manter activo. Se, por um lado, a primeira consiste numa longa viagem de auto-conhecimento em que o doente procura em si o objecto que cria a depressão de forma crónica, a segunda, apesar de ajudar a manutenção do doente como pessoa activa na sociedade em que se insere não lhe permite chegar ao cerne da questão. No entanto, a depressão é uma doença "manhosa" pois, apesar de ser algo interno no mundo psicológico do doente também rápidamente "aprende" a alimentar-se e a crescer com base em acontecimentos externos negativos que resultam da falta de participação do doente no mundo exterior à sua mente sendo frequente a criação se expirais descendentes advindas do facto da depressão ser altamente debilitadora e do facto dessa maior incapacidade do deprimido criar situações negativas no seu mundo exterior.
Assim, não só é extremamente importante trabalhar sobre a origem da depressão mas também sobre a forma como o deprimido encara a doença. É extremamente importante ter consciência de que:
1 - a depressão é uma doença crónica;
2 - não existe uma cura completa, nem um comprimido milagroso para a depressão;
3 - o doente deve ter consciência do que poderá aumentar o seu estado de melancolia como o cansaço, o sono, a falta de disciplina de alimentação, comportamentos obsessivo-compulsivos, etc. e criar uma plataforma organizacional para combater "maus hábitos";
4 - o doente deve aprender a antecipar os ciclos depressivos e agir proactivamente mantendo horários de sono, actividade desportiva e um calendário/horário bem definido que permita anular a criação de um ambiente favorável a acontecimentos negativos externos que possam agravar a depressão;
5 - o doente deve assumir que para progredir na cura da doença tem de querer e fazer por mudar a sua rotina alterando os seus hábitos;
6 - o doente pode nunca vir a compreender a causa da depressão.
Aja proactivamente para si e por si e continue a ser acompanhada.
Abraço.
Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: CSJ, marial, lost_soul, Samira_Abreu, sad
Eu tento fazer tudo isso que diz, mas há dias, senão quase todos, que são para esquecer. Tenho que saber viver com "ela". Obrigada pela compreensão.
D. é de facto muito interessante a sua análise e foca um ponto que para mim, no meu caso, é o cerne da questão "o pragmatismo associado ao facto do tempo não parar e o facto de apesar de doente, o deprimido ter responsabilidades e um papel activo na sociedade em que se insere e dever manter a capacidade de se manter activo." e incluo nisso as responsabilidades familiares, é muito fácil dizer que a família deve ajudar, e quando a família tb tem problemas e precisa de nós para a ajudar? ou quando não queremos envolver nisto os nossos filhos, e percebemos que apesar do nosso esforço (enorme) já não conseguimos disfarçar, e a nossa dor aumenta pelo ajuda que não conseguimos prestar e por sabermos que somos fonte de sofrimento para eles... é doloroso, frustrante...
Concordo com marial quando disse que D. foca um aspeto interessante. Quando li o comentário de D. pensei o mesmo. É uma forma de descrever a depressão bastante perspicaz e algo não muito frequente de se ler, embora esteja implícito na maioria das definições de depressão e relatos de pessoas deprimidas. A perspetiva de D. é bastante lúcida porque revela ao mesmo tempo o lado de dentro e o lado de fora. É difícil uma pessoa que não sofra nem nunca tenha sofrido de depressão colocar-se dentro; assim como é difícil uma pessoa que esteja a passar por um episódio depressivo colocar-se de fora. D. coloca-se simultaneamente dentro e fora, descrevendo com maestria o paradoxo central da depressão, ao mesmo tempo que vê com lucidez a resolução desse paradoxo. Agradeço a D. por ter um introduzido na discussão um novo aspeto sobre o qual refletir e deduzo que será uma pessoa bastante inteligente. A única coisa que falha na sua perspetiva (tal como falha na maioria das grandes abstrações) é o componente prático. Para um deprimido é bastante difícil manter rotinas, criar hábitos assim como conviver diariamente, mês após mês ou ano após ano com a falta de sentido para a sua própria vida. Para um deprimido cada dia é uma obrigação e uma luta constante, um esforço mais do que seria natural para sobreviver, sentindo sempre que está a perder algures a maravilha da vida, que se arrasta pelos dias, não vivendo, apenas sobrevivendo. Um ser humano precisa de sentir que a sua vida faz sentido...e a depressão mina essa possibilidade. Não sei se eu própria não estarei a ver claramente. Caro D. e utilizadores do fórum, convido-os a discutir este aspeto. Terei muito gosto em ler as vossas opiniões a partilhar experiências.
Estas pessoas agradeceram ou concordaram com esta mensagem: Samira_Abreu
Boa noite cara Cinda.
Queria apenas deixar-lhe umas palavras, tendo em conta o que disse anteriormente.
Acho muito bem que fale com seus amigos e que desabafe com eles, o alivio é momentaneo mas existe, contudo, deve ter em conta que estes nao possuem capacidades interventivas, terapeuticas, para que esse alivio seja mais doradouro.
Em casos que se justifiquem, existe medicação capaz de colocar o individuo num nível de funcionamento aceitável para que se possa entao intervir, intervenção esta do ponto de vista psicologico claro.
A depressão, nas suas mais variàveis formas, sao tratáveis, sendo possivel devolver ao individuo um estado de saude igual á pré-depressão.
Qualquer duvida ou esclarecimento adicional nao exite em perguntar.
Bom dia a todos,
Pelo que eu li a depressão está associada a um desequilíbrio químico no cérebro, em que os níveis de serotonina são mais reduzidos e sendo um neurotransmissor responsável pelo bem-estar induz o estado depressivo. Do ponto de vista prático e deixando por agora a medicação, que pode ser uma ajuda para recuperar algum bem estar, é fundamental criar as seguintes rotinas para aumentar de forma natural o nível de serotonina no cérebro:
1. Dormir bem - 7 a 8 horas por noite é o ideal (este ponto está em primeiro porque é realmente fundamental);
2. Exercício físico - Fazer exercício físico aeróbico 3 vezes por semana e com uma duração mínima de 30 minutos (uma boa caminhada em passo acelerado é suficiente)
3. Alimentação saudável - pode ter por base a roda dos alimentos para manter os níveis de energia (alimentos com vitaminas e proteínas são fundamentais)
4. Actividades de prazer - fazer aquilo que dá prazer, mesmo em estados depressivos existem sempre actividades de prazer
O controlo sobre a mente é também fundamental e concretiza-se identificando os pensamentos negativos que surgem de forma automática na mente e desenvolver argumentos para debate-los, não entrando em espirais negativas e substituindo-os por pensamentos positivos.
A prostração e a procrastinação são características da depressão que minam a implementação destas rotinas e as forma de contornar pode passar por NÃO PENSE, FAÇA JÁ!!! e também por associar a estas rotinas mais prazer e o menos dor (o ser humano tem naturalmente tendência para evitar a dor e seguir o prazer, por vezes na depressão o ser humano tem tendência para optar pelas opções que lhe trarão menos dor)
O papel dos psicólogos é fundamental para perceber se existe no passado ou presente algo que tenha despoletado a depressão e dos psiquiatras para eventualmente gerir a medicação que melhor serve a pessoa.
Olá boa noite Cinda,
Já vi que a senhora tem a mesma forma de pensar tal e qual como eu era, ou seja: Para poder resolver a minha depressão, necessito de anti-depressivos. Pois bem... engana-se...Tal e qual como disse o autor «JPSPD» Trata-se de todos os factores que citou, o sono,o exercício físico, uma alimentação saudável, e o facto de fazer algo que nos dà prazer, mas não só. Pode também ter vícios, tais como por exemplo, o tabaco ou o café. E acredite que esse grande esforço que pode vir a fazer nesse aspecto mudará muito.
Tenho 19 anos, tal e qual como a Senhora,não havia porqué, ou melhor... pensamos que não hà mas existiam, e estava completamente longe de imaginar um esgotamento. Tudo começou pelo um excesso de trabalho, de dedicação na concretização dos meus objectivos e a minha vida pessoal jà não era uma preocupação, talvez porque apesar de me sentir bem por me sentir realizada, não era das pessoas mais sociais. Inicialmente era apenas o excesso de trabalho, depois veio o vicio do café (mais de 4 cafés por dia), até que deixei de ter sono, ou seja, jà não conseguia ter um sono profundo,por grandes palavras o meu cerebro jà não se conseguia desligar do mundo do trabalho, escola e objectivos.
Até que tive um dia na presença de um jovem que tem conhecimento área da psícologia e me fez uma hipnose, em que é feito uma breve regressão ao passado. E desde esse momento, houve uma grande revelação, desde o primeiro dia, comecei a « dormir como uma pedra », o vício do café não acabou, mas acabava por tomar apenas um almoço e outro ao jantar, emocionalmente sentia-me mais perdida, isto os primeiros dias, mas em contra-partida estava mais cerena. E outras alterações que não vou sitar porque envolveria um grande artigo, mas por breves palavras passa por uma «reeducação» do seu corpo e da sua mente. E tal como numa consulta num psícolgo, tudo leva o seu tempo, a diferênça é que não existe anti-depressivos, e por experiência obtem-se resultados mais satisfatórios em relativamente pouco tempo. Dia 25 de Junho vai fazer um ano que fiz a hipnose e garanto-lhe que não hà qualquer comparação, a nível pessoal, a nível profissional, a nível de saúde física e mental.
Portanto é a único concelho que lhe possa dar, acredite ou não, e respeito plenamente a sua opinião, mas no meu caso, funciona e ao contrário dos anti-depressivos que apenas nos «acalmam», existe uma reeducação ;)
Deixo-lhe um grande abraço cheio de força, e espera que se querer recorrer a este meio que encontre alguém, e espero ter mais notícias suas. ;)
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